Desde a década de 1930: conheça as versões anteriores de Nasce Uma Estrela

  • por Minha Série em 22/01/2019 - 21:00

Pode até não parecer, mas Nasce Uma Estrela (2018), o longa protagonizado pela já premiada Lady Gaga e pelo ator Bradley Cooper, é uma história que não sai da cabeça dos diretores de Hollywood há quase 90 anos.

Para a surpresa de muitos fãs, o filme é fruto de uma ideia quase fracassada, que ganhou as telas pela primeira vez ainda na década de 1930, tendo sido regravada em mais quatro ocasiões por estúdios, diretores e atores distintos. Independentemente da época e da equipe, a verdade é que Nasce Uma Estrela sempre teve um potencial enorme – explorado ao máximo em sua última versão, que chegou aos cinemas em outubro do ano passado.

Hollywood (1932)

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O longa-metragem lançado em 2018 não é exatamente inédito, mas sim o quinto remake de uma ideia que começou a circular pela indústria cinematográfica muito tempo atrás, no longínquo ano de 1932. Foi quando a RKO Pictures, uma produtora e distribuidora de filmes dos Estados Unidos, rodou o título What Price Hollywood? (por aqui, apenas Hollywood), sobre uma garçonete de Los Angeles que se torna uma estrela do cinema enquanto seu mentor enfrenta a decadência e o alcoolismo.

Na época, o filme, protagonizado por Constance Bennett e Lowell Sherman, foi praticamente ignorado pela crítica. A revista Variety, por exemplo, o classificou como uma espécie de “releitura hollywoodiana de uma revista de fofocas”. Cinco anos mais tarde, porém, a Selznick Intl. Pictures, criada por um ex-funcionário da RKO, resolveu aproveitar a ideia de Hollywood para dar vida a um novo projeto: o primeiro Nasce Uma Estrela.

Nasce Uma Estrela (1937)

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Além da repercussão por ter sido um dos primeiros filmes lançados em cores graças à tecnologia Technicolor, Nasce Uma Estrela (1937), protagonizado por Janet Gaynor e Fredric March, movimentou os tabloides por conta de uma briga que quase foi parar na Justiça – tudo graças à sua semelhança com Hollywood. A confusão tem fundamento; afinal, a essência inteirinha do primeiro longa, rodado pela RKO, havia sido “aproveitada” no segundo, da Selznick, mas agora explorando cenários diferentes e um enredo com personagens ligeiramente modificados.

Além de copiar a ideia original, a Selznick deu vida a uma produção verdadeiramente afrontosa: na cena em que a personagem Vicki Lester (Janet Gaynor) recebe o seu Oscar, mais de 300 figurantes lotaram o auditório que de fato era usado na cerimônia real, e a estatueta original de Gaynor, que faturou o prêmio em 1929 por sua atuação em Aurora (1927), Sétimo Céu (1927) e O Anjo das Ruas (1928), foi a mesma usada em cena – na época, um escândalo.

Nasce Uma Estrela (1954)

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Em 1952, a atriz Judy Garland e seu marido, Sid Luft, já estavam se mobilizando para tirar do papel a versão seguinte de Nasce Uma Estrela, que chegaria às telas 2 anos depois, em 1954. À época, Garland e Luft se incumbiram de encontrar as mentes criativas que estariam por trás do remake do filme de 1937, dessa vez explorando um formato muito mais musical.

O casal fechou com o roteirista Moss Hart e os compositores Harold Arlen e Ira Gershwin. A decisão sobre quem assumiria o papel do protagonista masculino, no entanto, não foi tão fácil. As discussões passaram por nomes como Cary Grant, Dana Andrews, Henry Fonda, Stewart Granger, Richard Burton e Burt Lancaster até que se chegasse à definição final, com James Mason.

Nasce Uma Estrela (1976)

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O remake seguinte, de 1976, nasceu da ideia do roteirista e escritor John Gregory Dunne, que tinha o desejo de rodar um musical relacionado ao universo do rock. Nem ele nem sua esposa, Joan Didion, que seria sua corroteirista, haviam assistido a Hollywood ou a qualquer uma das versões de Nasce Uma Estrela, mas ambos admitiram que se afeiçoaram ao nome e decidiram que gostariam de usá-lo em uma produção diferente. No fim das contas, praticamente repetiram a dose.

Foram cotados para atuar a cantora Cher e o casal Carly Simon e James Taylor, casados na vida real. Depois de um longo e cansativo ano inteiramente dedicado ao roteiro do filme, Dunne e Didion, que estavam prestes a abandonar a ideia, foram surpreendidos pela adesão de Barbra Streisand, que incentivou o desenvolvimento do projeto, inclusive participando das conversas para tentar convencer Elvis Presley e Marlon Brando a fazerem parte do elenco. Quem levou o papel, porém, foi Kris Kristofferson.

Especulações nos anos 1990 e 2000

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Nos anos 1990, Quincy Jones chegou a cogitar outro remake, dessa vez estrelado por Whitney Houston e Denzel Washington, mas a ideia nunca chegou a sair do papel. Mais tarde, em 2012, foi a vez de a imprensa norte-americana noticiar que Beyoncé estava cotada para uma refilmagem dirigida por Clint Eastwood – outro projeto que nunca ganhou vida e do qual Eastwood saiu absolutamente desestimulado, em virtude das incertezas da produção. Quem surpreendentemente assumiu as rédeas da empreitada foi Bradley Cooper, que confiou à Lady Gaga o papel da inesquecível Ally – filme cujo resultado conhecemos no último mês de outubro nos cinemas.

O que mais chama a atenção é que, apesar da trajetória cheia de idas e vindas, e mesmo depois de décadas do lançamento do longa que deu vida ao primeiro Nasce Uma Estrela, a ideia por trás dos filmes não envelhece, qualquer que seja a época da sua reinterpretação. Terão Gaga e Cooper chegado à versão definitiva?

Este texto foi escrito por Rodrigo Sánchez via nexperts.

Assuntos
Especiais, Cinema, Oscar 2019

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