Quais séries passariam no Teste de Bechdel?

  • por Minha Série em 16/10/2018 - 23:22

Representatividade na TV e no cinema é coisa séria. Por isso, as mulheres estão cada vez mais preocupadas com a forma como são retratadas neste e em outros tipos de produção audiovisual, como a propaganda, por exemplo.

É muito fácil identificar se uma série representa adequadamente as nuances de ser mulher. Para quem está preocupado em priorizar aquelas que tratam com respeito suas personagens femininas, há um teste muito simples que pode ser feito antes de dar o play: Teste de Bechdel. Você já o conhece?

Trata-se de uma experiência que surgiu nos quadrinhos Dykes to Watch Out For [Lésbicas com quem você tem que tomar cuidado, em uma tradução bem livre], da cartunista norte-americana Alison Bechdel. As perguntas foram inspiradas na fala de uma amiga de Alison, Liz Wallace, e fazem referência a um trecho do ensaio “Um Teto Todo Seu”, de Virginia Woolf, que já abordava o tema da superficialidade na representação feminina.

Originalmente, o teste estava na tirinha A regra, publicada em 1985. A peça era uma forma de a artista de se manifestar contra a maneira como as mulheres eram retratadas no cinema, em papéis coadjuvantes, superficiais e quase sempre vivendo em função de um drama que envolve um homem. Embora ele seja mais conhecido para os filmes, também é possível aplicar a ideia central do teste para as séries. E veja que fácil! Basta se fazer algumas perguntas:

  • Primeiro, a série que você está querendo ver tem pelo menos duas mulheres no elenco central?
  • Essas mulheres conversam uma com a outra?
  • Agora responda: elas conversam sobre alguma coisa que não seja um homem?

Você vai ver que não é tão fácil assim encontrar séries que passem neste teste. Até aquelas que a gente pensava serem mais descoladas e menos machistas provam ter seus escorregões quando as perguntas são feitas e respondidas.

É muito fácil aplicá-lo a filmes, já que sua narrativa começa e termina muito rápido, e cada personagem responde a uma lógica focada em uma única história. Com as produções seriadas, a coisa fica bem mais complexa, já que temos que analisar toda a trajetória dos protagonistas para entender o que predomina no arco narrativo de cada um.

Por exemplo, Grey’s Anatomy; será que ela passa no teste? Tem mais do que duas mulheres em papéis centrais e elas conversam entre si, mas uma grande parte desses diálogos envolvem homens e relações amorosas.

A vida da própria protagonista, Meredith Grey (Ellen Pompeo), gira em torno de um personagem masculino: Derek Shepherd (Patrick Dempsey). Isso significa que Grey's não passa no teste de Bechdel? Não! Não se trata de extirpar completamente os homens das conversas, muito menos de tirar as vidas amorosas da equação. O principal ponto desse teste é lembrar que a vida das mulheres não deve se limitar a seus homens. Eles podem estar ali, mas não devem ser o único assunto tratado.

É diferente, por exemplo, de Breaking Bad. Embora a série seja ótima, suas poucas personagens mulheres em geral demonstram foco apenas em seus maridos e suas famílias. Produções como Dexter também não passariam no teste. Ainda que ela traga mulheres fortes como Debra (Jennifer Carpenter) e Rita (Julie Benz), elas não avançam a conversa para além de seus homens.

Existem seriados que tratam justamente da vida de casais heterossexuais, mas conseguem extrapolar essa questão, como é o caso de Desperate Housewives, Downton Abbey e Gilmore Girls, por exemplo.

Outras séries, por sua vez, trazem protagonistas empoderadíssimas – mas elas estão sozinhas demais para que as produções consigam passar no teste. É o caso, por exemplo, de The Killing e The Sinner.

Na primeira, a detetive Sarah Linden (Mireille Enos) é complexa e se distancia, e muito, do estereótipo da mulher cuja vida gira em torno de um companheiro. Mas ela tem apenas o parceiro para conversar, e não há outra mulher no núcleo principal da produção. O mesmo vale para a segunda, na qual a protagonista Cora, interpretada por Jessica Biel, está do outro lado das grades, mas entende bem a solidão da detetive. Por isso, nenhuma das duas está na lista que organizamos.

Veja quais são as séries que passam no Teste de Bechdel, muitas das quais estão disponíveis na Netflix e no Amazon Prime Video!

Private Practice

Já que começamos falando sobre Grey's Anatomy, é pertinente abrir esta lista com seu spin-off, não é mesmo?

Kate Walsh é a Dra. Addison Forbes Montgomery, que deixa o Seattle Grace para trás a fim de perseguir uma carreira na iniciativa privada, onde passa a atuar com Amelia (Caterina Scorsone), Charlotte (KaDee Strickland), Violet (Amy Brenneman) e Naomi (Audra McDonald), além de um grande elenco masculino.

Entre casos médicos e relacionamentos amorosos, elas se apoiam e se ajudam nos tempos difíceis e arrasam no Teste de Bechdel.

Scandal

Falar sobre as séries criadas por Shonda Rhimes é chover no molhado, uma vez que o empoderamento feminino é uma das pautas sempre em voga nas produções dessa deusa. Em Scandal, Olivia Pope (Kerry Washington) é uma solucionadora oficial de problemas que ajudou Fitzgerald Grant (Tony Goldwyn) a se tornar presidente dos Estados Unidos.

Em seu trabalho, ela conta com a ajuda de Abby (Darby Stanchfield) e Quinn (Katie Lowes), além de Mellie, que embora seja a ex-mulher de Fitz é também a candidata à presidência na sequência.

How to Get Away With Murder

Viola Davis é Annalise Keating, uma advogada linha-dura respeitada nacionalmente por seu sucesso como defensora e professora universitária. Junto a suas alunas e colegas de profissão, ela detona todos os casos que caem em sua mão; e, se há uma coisa que ela tem, é assunto para bons papos e ir direto ao ponto sempre que preciso.

Brothers & Sisters

Assim como Parenthood, Brothers & Sisters é sobre uma família, incluindo seus conflitos dentro e fora dessas relações.

A família Walker passa por um grande baque quando o pai e avô de todos morre, deixando uma série de assuntos mal-resolvidos. E, embora boa parte das questões girem em torno dele, o que surge depois faz com que a ala feminina dos Walker precise repensar a forma como enxerga o mundo, as relações familiares, o amor, a vida profissional e seu lugar na sociedade.

This is Us

Por falar em relações familiares, outra excelente opção é This is Us, mais uma prova de que não é porque uma série fala de família e relacionamentos que ela precisa girar em torno dos homens. Rebecca e Kate Pearson (Mandy Moore e Chrissy Metz) são as duas grandes protagonistas, mas entre elas e as demais integrantes do elenco feminino, as personagens constroem diálogos complexos, elaborados e que tratam dos mais diversos temas presentes na vida de uma mulher.

Desperate Housewives

Sobre o que quatro donas de casas do subúrbio em uma cidade norte-americana poderiam conversar, além de seus homens? Muito mais do que se pode supor, especialmente quando se pensa que a série foi ao ar no final dos anos 90, quando as discussões sobre gênero ainda não estavam muito em evidência na TV.

Gilmore Girls

Lauren Graham e Alexis Bledel dão vida a Lorelai e Rory, as grandes protagonistas de Gilmore Girls. E se há uma coisa que elas fazem, é falar sobre todos os assuntos possíveis e imagináveis. Mas a série não se resume apenas às duas e, embora as relações amorosas sejam importantes dentro da história toda, os homens não são o único tópico ao longo das temporadas.

Sharp Objects

A maravilhosa Amy Adams vive Camille Preaker, uma jovem e talentosa jornalista que retorna à sua cidadezinha natal para cobrir uma série de assassinatos de meninas. Lá, ela reencontra sua mãe, Adora Crellin (Patricia Clarkson), e conhece sua irmã mais nova, Amma (Eliza Scanlen).

Enquando o caso vai mostrando seus desdobramentos, o público conhece também os pormenores da saída de Camille da cidade, seus fantasmas do passado e os grandes conflitos na relação com a mãe. Passa com louvor no Teste de Bechdel.

The Good Place

Quem disse que comédias não podem passar no Teste de Bechdel? Em sua terceira temporada, The Good Place é uma divertida produção em que pessoas morrem e vão parar no Lugar Bom, onde passarão a eternidade.

A série pode não ser a mais feminista de todas, mas as personagens interpretadas por Kristen Bell e Jameela Jamil conseguem ter papos voltados para sua própria vida (e morte) zoada, e é sempre sensacional.

Chicago Fire

Como é a vida de uma mulher em um ambiente majoritariamente masculino, como um esquadrão do Corpo de Bombeiros? Para as mulheres do Corpo de Bombeiros 51, de Chicago, isso significa ter colegas que as apoiam e com quem podem conversar sobre tudo.

De Leslie Shay (Lauren German) e Gabriela Dawson (Monica Raymund) a Sylvie Brett (Kara Killmer) e Stella Kidd (Miranda Rae Mayo), as socorristas e bombeiras desse esquadrão não ficam atrás dos homens em competência e sucesso profissional e não os colocam no topo de seus próprios diálogos.

Law & Order: Special Victims Unit

Olivia Benson (Mariska Hargitay) vem lutando contra o crime há quase 20 temporadas, dedicada especialmente a combater criminosos sexuais, que têm em mulheres e crianças suas vítimas mais visadas. Ao longo dessas seasons, ela foi de única representante feminina da SVU a sargento que comanda a unidade inteira, que agora também é composta por Amanda Rollins (Kelli Giddish).

Criminal Minds

Criminal Minds é uma das séries policiais que melhor vêm fazendo um bom trabalho ao dar destaque às personagens mulheres. Depois de algumas discussões sobre igualdade salarial também por trás das câmeras, a forma como as personagens se apresentavam foi melhorada.

Buffy: A Caça-Vampiros

Ela luta contra vampiros, demônios e toda a sorte de criaturas assustadoras que planejam destruir o mundo e acabar com a raça do ser humano. Calha de ser também uma adolescente em plena idade de ensino médio, quando rolam todas as paqueras e dramas emocionais possíveis. De qualquer modo, isso não impede Buffy de passar com sucesso no Teste de Bechdel.

Jessica Jones

Krysten Ritter vive Jessica, uma jovem com poderes especiais e uma superforça física, mas que vive um relacionamento abusivo com um homem que consegue comandar a mente de todas as pessoas ao seu redor. Para sair dessa, ela vai precisar da ajuda de sua melhor amiga e quase irmã, Trish Walker (Rachel Taylor).

Grace & Frankie

O que passa na sua cabeça quando seu marido de décadas conta que, na verdade, está apaixonado pelo sócio, com quem vem tendo um affair também há décadas? E se, no meio disso tudo você ficasse presa à ex-mulher do sócio, com quem você simplesmente não se acerta? Grace e Frankie são dois opostos que vão ter muito sobre o que conversar ao longo dessa comédia da Netflix.

Orphan Black

Quando clones de uma mesma mulher aparecem e se encontram, todas as personagens interpretadas por Tatiana Maslany em Orphan Black terão que lidar juntas com os perigos e achar uma saída que as tire da situação de risco em que elas e suas famílias se encontram.

Parks & Recreation

No departamento de parques e recreação, quem manda são as mulheres. Ou melhor, uma mulher: Leslie Hope (Amy Poehler), que, junto à sua incomum equipe, tem a melhor das intenções, mas não muito apoio da cidade e de seu povo.

Downton Abbey

Para além de todos os volteios em torno da vida social da nobreza no início do século 20, Downton Abbey também mostra muito mais do que isso: retrata o contexto social e histórico da época. A produção é uma pedida excelente para conhecer um pouco mais sobre a retomada de um movimento feminista que evoluiu para o que é hoje, com a ajuda de personagens consistentes e muito bem construídas.

Scream

No universo do terror, também tem como passar no Teste de Bechdel! A série baseada no universo dos filmes de Pânico retrata um grupo de amigos quando vários assassinatos começam a assustar os moradores de uma pequena cidade.

The 100

O mundo pode estar ameaçado e o ser humano, com seus dias contados. Se isso não é motivo para falar sobre outra coisa além dos homens que estão em torno delas, o que seria? Quando os 100 jovens banidos da estação espacial onde estão os últimos sobreviventes da Terra retornam ao planeta, as mulheres que estão entre eles têm objetivos sólidos que envolvem garantir a sobrevivência e, finalmente, colocar os pés em solo firme.

The Crown

Se nem a rainha da Inglaterra consegue conversar com as pessoas que a cercam sobre outros assuntos que não os homens de sua vida, quem conseguiria? Se, por um lado, a produção coloca muito em pauta o relacionamento de Elizabeth (Claire Foy) com Phillip (Matt Smith), por outro, a relação dela com a irmã, Margareth (Vanessa Kirby), e todas as suas tarefas referentes à Coroa também ganham espaço.

The Good Wife

Alicia Florrick (Julianna Margulies) volta a advogar, e sua vida retoma um ritmo ao qual ela já não estava mais acostumada. Além de administrar a casa e a rotina da família, ela conhece novas pessoas e deixa de ser apenas a boa esposa, para se tornar novamente dona de si. No caminho, outras mulheres vão ajudá-la a retomar o caminho.

The Good Fight

No spin-off de The Good Wife, sem dúvida o raciocínio não seria diferente! Dessa vez, sob os holofotes principais estão Diane Lockhart (Christine Baranski), Maia Rindell (Rose Leslie) e Lucca Quinn (Cush Jumbo).

The Handmaid's Tale

Para encerrar esta lista com chave de ouro, não poderíamos trazer uma série diferente de The Handmaid’s Tale. O grande hit do momento trouxe com toda a força discussões sobre a instabilidade dos direitos das mulheres, situações de opressão e violência e muito mais.

Nela, Offred (Elisabeth Moss) é uma aia, responsável por gerar filhos para as famílias dos chefes de Estado depois que um governo totalitário tomou conta dos Estados Unidos, transformando-o em Gilead. A série é cheia de protagonistas predominantemente femininas com muito, mas muito para dizer.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.

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