Netflix planeja estreias em cinema de filmes originais com chances de Oscar

  • por Guilherme Haas em 12/08/2018 - 19:25

Depois de desbancar a HBO em número de indicações no Emmy Awards 2018, a Netflix – a maior plataforma de streaming do mundo – está de olho no Oscar!

Como forma de cumprir o regulamento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para a elegibilidade ao prêmio máximo da indústria, a Netflix planeja o lançamento de seus melhores filmes originais inéditos nos cinemas.

Para competir à estatueta dourada, as produções precisam ser exibidas nas salas americanas (mesmo que em circuito limitado) no ano anterior à premiação.

Em 2015, a Netflix fez seu primeiro teste para o Oscar com a exibição de Beasts of No Nation por duas semanas em cerca de 30 cinemas nos Estados Unidos. O resultado: meros US$ 90 mil em arrecadação e zero indicações pela Academia.

No ano passado, o streaming conquistou 4 nomeações para Mudbound, produção adquirida no Festival de Sundance, mas não conquistou a cobiçada estatueta de Hollywood.

Agora, com a estrategista de prêmios Lisa Taback na equipe, a Netflix estuda como irá qualificar seus lançamentos “de qualidade” para o Oscar 2019.

Netflix planeja estreias em cinema de filmes originais com chances de Oscar

De acordo com uma reportagem do The Hollywood Reporter, há duas produções em foco pela Netflix para o próximo prêmio da Academia: Roma, de Alfonso Cuarón; e 22 July, de Paul Greengrass.

Segundo a matéria, a companhia planeja exibir os dois filmes nas salas de cinema ainda neste semestre – e espera fazer isso em grande circuito! A questão que permanece problemática é a intenção da Netflix de manter o lançamento simultâneo nos cinemas e no streaming.

O concorrente Amazon Prime Video, que emplacou Manchester à Beira-Mar no Oscar do ano passado (vencendo, inclusive, na categoria melhor ator para Casey Affleck), tem uma política diferente para esses lançamentos, respeitando a janela de exibição tradicional antes do lançamento na plataforma digital.

A Netflix, porém, parece decidida a manter a simultaneidade de estreias no streaming e nos cinemas – apesar da pressão dos próprios cineastas.

Nos bastidores, fica a discussão sobre “o preço que se paga” por fazer negócio com a Netflix: ao optar por trabalhar com a gigante do streaming, diretores prestigiados como Cuarón e Greengrass (e Scorsese também desenvolve um projeto na companhia) correm o risco de perder a “visibilidade” dos cinemas.

Outra questão importante é como os realizadores passam a ficar reféns da estratégia de lançamento da Netflix. Se a produção não tiver uma passagem pelos cinemas, ela não poderá se candidatar aos prêmios cinematográficos e, obrigatoriamente, será caracterizada como um “filme para TV ou streaming” (concorrendo ao Emmy e premiações de sindicatos, mas não ao Oscar).

Nas próximas semanas, a Netflix deve anunciar como irá promover as obras com intenção de Oscar. Será que a companhia vai ceder dos lançamentos simultâneos e dar uma maior chance aos títulos “de Oscar” nos cinemas? Ou será que vai conseguir emplacar as produções na premiação seguindo suas próprias regras?

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Premiações, Netflix, Cinema, Streaming, Oscar 2019

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