Jessica Jones: 7 pontos positivos da 2ª temporada (opinião)

  • por Guilherme Haas em 13/03/2018 - 22:30

Nos últimos anos, a Netflix parece ter encontrado uma fórmula para produzir séries com os heróis da Marvel, replicando uma estrutura similar em suas temporadas.

Lá pela metade dos 13 episódios de cada ciclo, há um desvio da narrativa que gera uma enorme barriga (como se chama a “gordura” de roteiro), frequentemente deixando um ritmo arrastado sobre a história.

Depois de dois anos de Demolidor, mais Luke Cage, Punho de Ferro, Justiceiro e a minissérie Os Defensores, já poderíamos esperar o mesmo formato na segunda temporada de Jessica Jones. E a verdade é que há mesmo um tanto de enrolação aqui, que parece ter a finalidade de estender a trama e preencher o número de episódios encomendados.

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

Porém, Jessica Jones tem um ritmo melhor do que as outras séries da Marvel/Netflix e traz vários outros atrativos que compensam seus pequenos deslizes: a começar pela própria protagonista, que é tão cheia de falhas que temos mais facilidade de nos relacionar com ela; e todo o conjunto de coadjuvantes com seus próprios plots e arcos dramáticos.

Abaixo analisamos os destaques da segunda temporada de Jessica Jones (atenção a spoilers):

1. Jessica

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

A heroína titular começa a temporada basicamente em sua conhecida rotina: investigando casos e enchendo a cara no bar local. Pressionada por Trish, Jessica é levada a analisar a origem dos seus superpoderes, como forma de superar também seus traumas de infância e adolescência. A jornada da protagonista ao longo da temporada revela várias camadas de sua história de vida e apresenta mais detalhes de sua personalidade. Jessica chega ao final bastante modificada por esta história – ainda que continue sendo a alcoólatra mal-humorada que tanto gostamos.

2. Patsy

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

A melhor amiga e irmã adotiva de Jessica já havia chamado a atenção na primeira temporada, e Trish “Patsy” Walker ganha ainda mais tempo de tela neste segundo ano. Ela é a responsável por instigar a heroína a investigar a clínica IGH, e a relação de apoio e cumplicidade (e às vezes atrito) entre as duas continua sendo uma das grandes qualidades da série. Patsy ainda não se tornou a Gata do Inferno como gostaríamos, mas ganha uma boa narrativa de transformação –deixando sua vida “certinha” para trás, usando uma droga para ampliar seus sentidos e, por fim, decidindo fazer a diferença e ser uma heroína ao seu estilo.

3. Malcolm

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

Uma das gratas surpresas desta temporada é a participação do vizinho/secretário de Jessica (e promovido a sócio na Alias Investigations), Malcolm. Após sua reabilitação no primeiro ano da série, o personagem encontra um novo vício: relações sexuais casuais com diferentes mulheres da região. Malcolm tem importante papel na investigação do caso IGH, além de ajudar Trish em maneiras que vão além das práticas profissionais. Malcolm costura também a narrativa de Jeri Hogarth e serve como um ótimo alívio cômico, especialmente nas conversas com Jessica.

4. “Big bad

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

A segunda temporada de Jessica Jones deve ser reconhecida por um grande mérito: apesar de ser uma narrativa de super-herói, não há um grande vilão a ser combatido! Jessica não enfrenta aqui uma perigosa ameaça que coloca em risco sua vida ou sua comunidade. Atenção aos spoilers: a trama deste segundo ano, especialmente na segunda metade, se apresenta como uma intricada relação de mãe e filha. Jessica descobre que sua mãe, Alisa, também sobreviveu ao acidente de carro e “ganhou” poderes, mas precisa lidar com o fato de que ela perde o controle com facilidade, gerando vítimas no caminho. Essa reviravolta de roteiro proporciona algo completamente diferente do que esperávamos – e ajuda muito ter a atriz Janet McTeer em um papel dramático desta dimensão.

5. Oscar

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

Há um novo homem na vida de Jessica: o zelador Oscar. Desde o início, a narrativa parece muito previsível, mas é bom ver a heroína se relacionando com alguém “comum”. As aspas estão aí porque não dá para dizer que um cara como este é “comum”, certo?

6. Jeri

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

Entre tantas boas interpretações, é possivelmente Carrie-Anne Moss quem mais se destaca nesta temporada. Sua personagem, a advogada Jeri Hogarth, tem uma narrativa própria lidando com a descoberta da ELA (esclerose lateral amiotrófica) e buscando uma alternativa para continuar à frente de sua firma. A atriz equilibra com uma incrível segurança as diferentes características da personagem, que não é uma figura fácil de ser amada, mas conquista nossa empatia.

7. Feminismo e representatividade

Fonte da imagem: Divulgação/Netflix

Jessica Jones significa também mais um grande avanço na representatividade da mulher nas telas, com a presença de figuras femininas fortes e independentes. Atrás das câmeras, a temporada foi igualmente dominada por mulheres, que dirigiram todos os 13 episódios deste ano (e roteirizaram metade deles) – algo que se reflete no resultado final.

E você, o que achou da segunda temporada de Jessica Jones?

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Reviews, Especiais, Netflix, Marvel, Quadrinhos/HQs, Midseason 2018

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