Pantera Negra: o que achamos do novo filme da Marvel (crítica)

  • por Guilherme Haas em 15/02/2018 - 23:09

É possível dizer que o Pantera Negra foi uma das melhores coisas de Capitão América: Guerra Civil, roubando as cenas enquanto perseguia o Soldado Invernal ou fazendo parte do time do Homem de Ferro no confronto entre os heróis na sequência do aeroporto.

Em sua aventura solo, porém, o herói é ofuscado por outros personagens coadjuvantes – especialmente o grupo fenomenal de mulheres guerreiras ao seu redor, que vão desde sua irmã Shuri (a pouco conhecida Letitia Wright), sua mãe (a talentosa Angela Bassett), passando pelas guerreiras Nakia (a oscarizada Lupita Nyong'o) e Okoye (Danai Gurira), até as lutadoras da equipe Dora Milaje.

O fato de o filme Pantera Negra ter tantas figuras femininas relevantes comprova que há espaço de sobra para grandes heroínas dentro do universo cinematográfico baseado em quadrinhos e não tira em nada o mérito do herói titular parecer um pouco apagado em sua própria produção.

As mulheres são fundamentais aqui nas tomadas de decisão e participam das melhores cenas de ação do longa; Nakia e Okoye, por exemplo, arrasam em uma sequência de luta dentro de um cassino ilegal em Busan.

T'Challa (Chadwick Boseman) ao lado de Nakia (Lupita Nyong'o) e Shuri (Letitia Wright). Fonte da imagem: Divulgação/Marvel Studios

O mais novo longa-metragem da Marvel Studios é, na verdade, uma luta pela representatividade da cultura negra e se torna efetivamente uma obra política quando questiona se a nação fictícia de Wakanda deve ou não se abrir para o mundo – retratando, assim, questões muito atuais de imigração, protecionismo, preconceito e disputa de classe.

O conflito sobre a tecnológica nação africana se estabelece através do vilão da trama, Erik Killmonger (interpretado por Michael B. Jordan), que espera usar o vibranium para armar gangues de diversas partes do mundo e lutar contra a opressão.

A rivalidade entre Killmonger e T’Challa tem uma base shakespeariana, o que fornece motivos mais críveis e mais bem fundamentados para a disputa de poder entre eles – diferente de outros vilões genéricos que vemos por aí.

Erik Killmonger (Michael B. Jordan) desafia T'Challa pelo trono de Wakanda. Fonte da imagem: Divulgação/Marvel Studios

A jornada do herói, no entanto, é o elemento que parece mais fraco dentro desse vasto e rico conjunto. Até porque há aqui a repetição – que tem as HQs como referência – de um conhecido plot: em certo momento, o super-herói precisa mostrar seu valor e sua honra desprovido de sua armadura (como antes já foi um uniforme, um escudo, um martelo, um lançador de teia etc.).

Parece ser também outro ponto negativo a percepção de que o longa-metragem não traz uma cena de ação tão emocionante e de tirar o fôlego quanto aquela perseguição do Pantera Negra ao Soldado Invernal. Há sequências eletrizantes aqui, mas que não se comparam às que vimos em Guerra Civil.

Apesar desses detalhes, a produção tem muito valor nos temas e nas discussões que apresenta, ainda que você fique mais interessado nos apetrechos tecnológicos da divertida Shuri ou na força e na paixão das Dora Milaje do que no super-herói titular em si.

Assuntos
Cinema: Estreias no Brasil, Cinema, Cinema: Crítica, Marvel, Quadrinhos/HQs

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