Extraordinário: filme faz jus ao título e emociona (crítica)

  • por Guilherme Haas em 06/12/2017 - 21:15

Ao ler a sinopse ou ouvir sobre a história de Extraordinário, o espectador desavisado poderia fazer um julgamento rápido bastante assertivo – de que se trata de mais um filme sobre inclusão social, aceitar as diferenças e respeitar o próximo.

E essa não seria uma percepção equivocada. Extraordinário, baseado no livro homônimo de R. J. Palacio (pseudônimo de Raquel Jaramillo), é um pouco isso mesmo; uma história edificante sobre um garoto que nasceu com uma deformidade facial e precisa enfrentar a sociedade ao começar a frequentar a escola.

Qualquer cinéfilo com um pouco de bagagem nas costas poderia ter bons palpites sobre o rumo dessa narrativa, com as questões de preconceito e discriminação sendo apresentadas na jornada do pequeno Auggie. Haverá sofrimento, haverá tristeza, e também terá uma mensagem positiva sobre dar a volta por cima.

Tudo isso se percebe só de assistir ao trailer. O que não é tão aparente e que cabe ao papel da crítica destacar é como o filme ultrapassa os clichês, ampliando a discussão sobre o drama do personagem e apresentando um panorama maior de sua família e seus agregados.

Julia Roberts e Jacob Tremblay em Extraordinário (Wonder, em inglês). Fonte da imagem: Divulgação/Lionsgate

O filme não se limita às dificuldades do menino em encarar o mundo de frente e mostra também as histórias dos outros personagens – todos eles impactados por Auggie, mas lidando com seus próprios dilemas e inseguranças.

Dessa maneira, conhecemos não apenas Auggie e sua família, mas temos o ponto de vista de colegas de escola e até de uma amiga de Via (a irmã do protagonista); cada um deles com seus problemas, que podem não ser maiores ou piores do que os da família, mas são igualmente reais e merecem ser discutidos.

Essa alteridade de questões não teria o efeito que tem sem o trabalho primoroso de todo o elenco. Desde o garoto Jacob Tremblay, passando pelos pais interpretados por Julia Roberts e Owen Wilson, pela irmã Via retratada por Izabela Vidovic, até os coleguinhas e amigos de escola (e o diretor vivido por Mandy Patinkin!); o conjunto de interpretações é realmente especial.

Além disso, é preciso dizer que a produção é toda caprichada, belissimamente fotografada e com uma direção muito cuidadosa e sensível, com um agradável equilíbrio de drama e humor. O filme escapa do sentimentalismo barato e não pega atalhos para emocionar os espectadores – e é isso que faz Extraordinário se destacar na multidão.

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Cinema: Estreias no Brasil, Cinema, Cinema: Crítica

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