Blade Runner 2049: o que achamos do filme com Ryan Gosling e Harrison Ford (crítica)

  • por Guilherme Haas em 04/10/2017 - 23:31

Denis Villeneuve pode ser um dos cineastas mais interessantes trabalhando em Hollywood no momento. Depois dos excelentes A Chegada, Sicario e Os Suspeitos (aquele com Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal), o diretor franco-canadense entrega este deslumbrante Blade Runner 2049.

Enquanto muitos realizadores teriam receio de mexer com um clássico como Blade Runner (de 1982), Villeneuve explora com segurança e determinação este universo ficcional, acrescentando novos questionamentos ao debate do pós-humano e da inteligência artificial.

A trama apresenta o replicante K, papel de Ryan Gosling, um ser artificial criado e programado para “aposentar” os modelos anteriores de peles-falsas. K é um policial exemplar que ajuda a manter a ordem da sociedade na Los Angeles de 2049. Porém, em seu mais recente caso, K acaba encontrando a ossada de uma possível replicante que pode ter dado à luz a uma criança – algo que poderia desestabilizar as camadas sociais do mundo.

Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros., Sony Pictures

K é então encarregado pela sua chefe (a ótima Robin Wright) a investigar o caso, o que o leva a analisar os antigos arquivos da Tyrell Corporation, a companhia que criava os replicantes antes do blecaute de 2022. Assim, somos contextualizados à história e ao universo de Blade Runner, relembrando o longa original (que se passava em 2019) e descobrindo que o excêntrico Wallace (Jared Leto) comprou os espólios da Tyrell para retomar a criação dos replicantes.

Vale dizer que não é preciso ter assistido ao filme original de Ridley Scott para compreender a trama de Blade Runner 2049 – mas certamente ajuda e dá um gostinho a mais na apreciação da nova produção.

Villeneuve tira grande proveito da proposta visual da obra de 1982, potencializando os contrates das cidades cinzentas e de ar poluído, com o colorido das luzes neon e hologramas publicitários. O design de produção de Blade Runner 2049, com fotografia e direção de arte inacreditáveis, aliadas a ótimos efeitos visuais, cria imagens que não devem sair muito cedo da memória dos espectadores.

Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros., Sony Pictures

O longa – com mais de 2 horas e 30 minutos de duração! – prende a atenção do público através de uma atmosfera de constante mistério sobre a investigação de K. Como nas obras anteriores de Villeneuve, o diretor conta com a inteligência dos espectadores para construir uma narrativa que nunca revela mais do que precisa e, de quebra, provoca boas surpresas no caminho.

Há algumas subtramas que parecem mal aproveitadas, como a qual envolve a personagem de Mackenzie Davis, e que passam uma impressão inconclusiva ao final do filme. Apesar disso, há elegância, estilo e vida inteligente de sobra em Blade Runner 2049. Villeneuve não apenas atualiza um clássico para a nova geração, mas traz também novas questões sobre o que nos faz humanos.

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